EXCLUSIVO✻
Com saudade , com verdade e intensidade....
Eu não gostava do mundo, mas em tempos precavidos e tranquilos, dava quase para compreendê-lo.

Ana Tereza decidia mais uma vez o que escrever no diário daquele dia. Não ocorreu nada memorável. Era um dia como outro qualquer onde o exercício de escrever sobre seu dia parecia ainda mais inútil. No ônibus, no caminho para a faculdade, eram os mesmos papos, mesmas pessoas e perguntas desinteressantes. O mais relevante do dia talvez fosse o fato de não haver nada empolgante. Era depressivo como a rotina adequava-se tão bem que ninguém reparava nela. Ana não era fã disso. Admirava quem sabia se relacionar bem num grupo, sem muito destaque, porém, tinha um espirito aventureiro, e chamava atenção sem pedir. Naquele dia não conseguia pensar em uma alma viva que realmente a notara. Usava moletom Gap e tenis vans vermelhos. Misturava-se bem com os alunos na rua. Não era ninguém. Não vira ninguém. E nem mesmo a trança, uma mudança no visual, causou algum sentimento. Estava tudo tão calmo e ocioso que não parecia sua vida. Dizem que é assim que as tempestades se aproximam. Nesse caso, a tempestade era a calmaria de um dia sem expectativas. Uma semana qualquer, só mais um dia. E seria assim até seu fim. O pensamento era devastador. Ana Tereza chorou com medo aquela quinta feira, e esse foi o fato mais empolgante. Foi o que anotou em seu diário de atividades do ano.

19H32 (Ana Tereza de Lima)

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